Sullivan e Massadas no idílico mundo das botas brancas

Nesse espetáculo iluminado por sóis de espuma e tinta guache, aprendíamos a suprimir as frustrações repetindo o mantra "sonhar é poder" entoado logo no café da manhã ao mastigarmos o pão velho com manteiga e sem mordomo pra nos servir.

The Runaways: Serotonina inundando os ouvidos.

O debut é uma overdose de serotonina e estrogênio inundando os ouvidos, inflamando os sentidos, deixando os mamilos dormentes e uma vontade doida de trepar.

Do right woman! A frágil irmandade feminina

Enquanto os homens são capazes de machucar o meu corpo, as mulheres têm o poder de destruir minha alma.

Janele Monáe: Andróide do Pop

Janelle Monae lança mão de todos os ingredientes disponíveis para o sucesso de uma diva pop: estilo musical da moda (hip hop), batida e refrões marcantes, duetos, empolgação, romantismo.

Gang 90: O primo pobre da Blitz

Um sonho estranho nas paredes do prédio, prefiro morrer de vodca do que de tédio.

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27/12/2010

A tristeza que balança: Elza , Grêmio e os Manés

O filho ingrato à casa torna. E ela aguarda alegre e de braços abertos, ensurdecendo para as mágoas, como mulher de bêbado que cultiva, orgulhosa, suas ‘’marcas de amor”. Como as mulheres sofridas de Chico Buarque,  o Grêmio esquece o bafo de cachaça, tira o pó dos retratos e abre os braços aos Assis.  Sob novas juras de amor, esquece que foi traído três vezes por um punhado de dólares  e agora, depois de um ocaso de quatro temporadas, os Assis querem voltar ao Olímpico para garantir tempos de paz e pagode na provinciana Porto Alegre.

Casos de amor, ódio e traição fazem a alegria do público e da imprensa especializada: os Assis x Gremio e Ronaldo x Flamengo são eventos marcantes da trairagem descarada no mundo do futebol. E o que dizer quando música e esporte se unem numa história de tragédia, traição, violência e redenção? Elza Soares e Mané Garrincha protagonizaram um romance que ultrapassou o rompimento da relação e foi um empecilho na carreira nacional da cantora. Maltratados por gênios do futebol, Elza e o Grêmio se unem na dor de lamber as feridas e dão a outra face na esperança de ganhar beijos ao invés de tapas.

É difícil quantificar se Elza Soares tem mais melodramas ou cicatrizes de cirurgias plásticas em sua vida. Paupérrima, dona de uma voz rouca, rasgada, de grande extensão aperfeiçoada enquanto carregava latas de água na cabeça balbuciando sons ao ritmo daquele balanço; Elza teve seu primeiro filho aos 12 anos, começou a cantar profissionalmente em shows de calouros no rádio enquanto seu primeiro casamento desmoronava abaixo de pancadas.
Enfim viúva e mãe de sete filhos, em 1958 Elza passou uma temporada de sucesso na Argentina brindada com a trairagem do  empresário da turnê, obrigando-a a cantar na Ricoleta em troca do dinheiro da passagem de volta. De volta ao Brasil, em 1960 Elza emplacou  relativo sucesso após o álbum Se acaso você chegasse, fez dueto com o mestre do jazz Louis Armstrong e em 1962 tornou-se a ilustre concubina de Mané Garrincha.

A história de amor e perdição entre o Grêmio e os Assis é menos ilustre, mas não menos polêmica: o jovem meia esquerda Roberto de Assis logo cedo corneou o clube que o revelou ao fugir para o Torino no intuito de forçar o presidente gremista Paulo Odone a assinar um contrato milionário. Relevando a instabilidade econômica que assolava o Brasil no final da década de 1980, Odone assinou contrato que incluía também uma casa para a família Assis Moreira - local onde o patriarca dos Assis morreu ao cair na piscina vazia em 1989. Com uma proposta mais tentadora, Assis forçou sua saída do clube para jogar no inexpressivo futebol suíço. Era o primeiro tapa à mão estendida.

Também em terras alpinas outros boleiros fizeram história, no caminho inverso de Assis. Nos idos de 1958, Garrincha e Pelé conquistaram a Jules Rimet e o lugar na cama de algumas suecas. De volta ao Brasil, o Rei e do Anjo de Pernas Tortas começavam a trilhar caminhos diferentes: Pelé acumulava títulos, excelentes performances e contratos publicitários; ao passo que Garrincha colecionava filhos, mulheres, martelinhos de cachaça e era explorado pelos dirigentes do Botafogo - época em que o negócio era mais rentável aos clubes do que aos jogadores.  

A profissionalização no futebol é questão recente, da década de 1970 pra cá e teve seu marco com a transferência de Pelé para o clube norte-americano Cosmos. O mesmo Edson Arantes que no começo do milênio instituiu a Lei Pelé, visando conceder a “alforia” dos jogadores ao tornarem-se proprietários do passe. Na prática, o passe dos boleiros só mudou de dono e os clubes formadores não se adequaram a nova lei. Os Assis  aproveitaram a brecha para cuspir no Grêmio pela segunda vez: entre juras de amor e de fico Ronaldinho e o irmão Assis, agora seu procurador, assinaram pré-contrato com o Paris Saint-Germant  e deixaram o Grêmio de mãos abanando sem pagar um centavo pela formação.

Sem dinheiro também, mas com muitos tapinhas no ombro e alegria, Garrincha carregou a seleção brasileira de 1962 no bicampeonato – Pelé sofreu uma contusão e assistiu a Copa no banco de reservas -  e voltou ao Brasil com a taça e uma musa na bagagem: Elza Soares. A paixão era tão intensa que a primeira vez do casal durou dias e só acabou porque os dirigentes do Botafogo foram à casa de Elza junto com a imprensa para ‘’resgatar Garrincha da Gomorra’’.

Inconseqüente e alegre, como o brasileiro gosta, Garrincha apresentou Elza à mulher e os filhos e a polemica do concubinato público e consentido foi o tema do ano na Cruzeiro, Fatos e Fotos e afins. Elza assumiu o posto de mulher de malandro (ou seria de Mané?) e deu a cara a tapa em todos os sentidos. Alegria e inconseqüência é também o que encantou os brasileiros e metade dos sulistas nos anos de ouro de Ronaldinho Gaucho.Duas vezes eleito melhor jogador do mundo, Ronaldinho era símbolo do futebol moleque dentro e fora de campo: noitadas, beberagem, corpo mole, são marcas que ele deixa nos clubes que passa. E agora, o Grêmio quer de volta a molecagem do clã Assis.

Molecagem de Garrincha que sempre foi perdoada. Acossada pelos paladinos da moral e bom costume como uma “destruidora de lares” e responsabilizada pela “perdição de um gênio”, os álbuns de Elza eram sucesso de crítica mas não conquistavam grande público. Entre comunhões sexuais extasiantes, bebedeiras violentas, pancadaria e sambas inovadores e viscerais Elza cantava para sustentar o marido e os filhos, ajudar as amantes e ex-mulheres de Mané, afasta-lo do álcool e manter-se lúcida. Lucidez que rendeu ótimos álbuns como “Elza Pede Passagem” de 1972, clássico do samba-soul marcado pelo naipe de metal das suingadas Cheguendengo, Saltei de Banda, Maria vai com as outras e a estupenda O Gato.

01. Cheguedengo
02. Saltei de banda
03. Maria vai com as outras
04. Samba de pá
05. Abc da vida
06. Barão Beleza
07. Rio carnaval dos carnavais
08. O gato
09. Pulo pulo
10. Amor perfeito
11. Mais do que eu







03/12/2010

Serotonina inundando os ouvidos – The Runaways

Rock pré-fabricado, engarrafado e pronto pra consumir ou uma boa banda de rock and roll?? Tanto faz.
A união do produtor musical Kim Fowley com uma banda de garotas de 16/17 anos de idade, instrumentalmente limitadas porém viscerais ajudou a resgatar a ousadia e sensualidade do rock. Com a particularidade que a mulher teria voz ativa na sua representação - mesmo com o dedo de Kim Fowley, os petardos do disco de estreia são de autoria de Joan Jett: Cherry Bomb, You Drive me Wild. Contudo, o trabalho de marketing e criação de Kim Fowley contribuiu para que a banda nunca fosse levada a sério por parte da imprensa.O público mais conservador também não engolia garotas tocando rock e cantando letras sobre sexo e vida nas ruas em alto e bom som. - Ei, garoto, qual é a sua? (...) Vou te ter, te agarrar até te machucar. 
Depois de Billie Holliday, Nina Simone e outras divas alternarem independência afetiva  - questão de sobrevivência para as negras dos tempos da segregação - e masoquismo; de Rita Pavone viver as turras com os pais que a proibem de ir  ao baile; Aretha Franklin e Tina Turner gritarem a auto-afirmação feminina e étnica; Joan Jett pôs a cereja do bolo no feminismo: sexo. 

Don't hold off, I need your lovin'
                                        Não se afaste, preciso do seu amor 
It's so hot, it feels like an oven
                                        Está tão quente, parece um forno
My head is all filled with crazy thoughts
                                        Minha cabeça está cheia de pensamentos loucos
When I come down I can't be fought.
                                      Quando eu chegar, não poderei ser derrotada.

Entre riffs, gritos e gemidos The Runaways mostravam que mulheres gostam de sexo. Sem vergonha e sem culpa. Igualando-se aos homens nos desejos e necessidades,  sem se colocarem como divinas  ou superiores, sem delongas como my heart it´s on fire e outras metáforas sobre lua aflita.
The Runaways são diretas e quentes. O debut é uma overdose de serotonina e estrogênio inundando os ouvidos, inflamando os sentidos,  deixando os mamilos dormentes e uma vontade doida de trepar.


  1. "Cherry Bomb" (Joan Jett, Kim Fowley) - 2:18
  2. "You Drive Me Wild" (J. Jett) - 3:22
  3. "Is It Day or Night?" (K. Fowley) - 2:45
  4. "Thunder" (Mark Anthony, Kari Krome) - 2:31
  5. "Rock & Roll" (Lou Reed) - 3:17
  6. "Lovers" (J. Jett, K. Fowley) - 2:09
  7. "American Nights" (M. Anthony, K. Fowley) - 3:15
  8. "Blackmail" (J. Jett, K. Fowley) - 2:41
  9. "Secrets" (Cherie Currie, K. Fowley, K. Krome, Sandy West) - 2:43
  10. "Dead End Justice" (S. Anderson, C. Currie, K. Fowley, J. Jett) - 7:01
 


 

02/12/2010

Coletânea Dancing Days ou deu pra ti, anos 80!

Coletânea Dancing Days by Tia Véia on Grooveshark

       Calças coloridas, culto a Odete Roitman, aspirantes a Madonna, chicle ploc e Renato Portaluppi. Os anos oitenta parece não ter fim.
          Quando achamos que a cultura pop está avançando rumo a sobriedade agressiva dos noventa ou indo mais fundo em sua viagem no tempo - assumindo de vez os cabelos crespos sob a luz do globo espelhado dos 70 - tome Restart e revival do RPM.
Porque os anos 70 ainda é o ultimo na  fila dos revivais?
A década que começou com a geração bendita pregando liberdade, paz, amor e outras utopias terminou no desbunde da geração perdida, que só desejava dançar, festejar, cheirar, trepar e todos os verbos infinitivos possíveis sem compromisso com os “ismos”, é esquecida pela cultura pop saudosista. Um período frenético (com todos os trocadilhos possíveis com as infames e viciantes As Freneticas) e marcado por desilusões ideológicas e pó, muito pó: Guerra do Vietnã, David Bowie,a renuncia de Nixon, Linda Lovelace, terrorismo de esquerda e direita,  Andy Wahrol, Iggy Pop, crise do petróleo, Pink Floyd, Sex Pistols,  ame-o ou deixe-o, Jackson Five, Nelson Ned no México, John e Yoko expulsos dos EUA, estampas alaranjadas e Barry White...
É também a década da consolidação da música negra cantada por negros (funk, disco, groove) e não somente por intermediários socialmente aceitáveis que lançavam mão da mistura de ritmos negros com elementos de country & western - Elvis Presley, Joe Cocker, Rolling Stones.
Das tantas dissonâncias setentistas a que me embota o espírito hoje é a disco music por isso trouxe essa coletânea da Som Livre que reúne os hits das discotecas  – September, I never can´t say goodbye, Young hearts run free, Disco Inferno - pra colocar a ultima pá de cal nas calças de brim coloridas.










18/11/2010

Quando Gal era fatal: a diva dos nabos

De 1973 para cá Gal deixou de ser fatal. Os seios caíram, as amizades pioraram (quem não se lembra dela defendendo o ACM?), os cabelos perderam o volume, o repertório amadureceu – eufemismo para ‘’paumolesceu’’ – e Gal trocou o ácido por um passatempo ainda mais viciante e inócuo: Farmville.

No Facebook, jogo Farmville e Cafe World. Adoro! E jogo Xbox com meu filho. Adoro esses joguinhos e também assisto com meu filho a todos os desenhos que compro pra ele. Amo! (...)Eu tenho fazenda, tenho café. As pessoas às vezes pedem para jogar e imediatamente tornam-se meus vizinhos.

Se antes o derretimento progressivo dos neurônios rendia escolhas brilhantes no repertório e pérolas interpretativas como  “Dê um Rolê”, “Cultura e Civilização”, “Tuareg” e “Luz do Sol”;  hoje a troca de cenouras por um punhado de nabos germinam um cancioneiro pouco inspirado e interpretações tão sonolentas quanto o ruminar de vacas.
E dá-lhe regravações de Chico Buarque, Tom Jobim, Bossa Nova e do repertório antigo em meio aos compromissos virtuais como podar árvores, lavar porcos e saudar o novo vizinho de cerca. 
Se pelo menos Gal Costa se divertisse com JOGOS como  Shadow of the Colossus, Gears of  War e Limbo teria chance de recuperar a verve e criatividade do começo de carreira e voltar a ser a masterchief da  filantrópica MPB.

Gal - A todo Vapor/Fatal - 1971
Sob a direção de Roberto Menescal, Gal Costa fez uma série de shows no Teatro Tereza Raquel, no Rio de Janeiro.  
Compilado em um album duplo, Fa-tal registra uma Gal vibrante, ousada e agressiva acompanhada pela guitarra indefectivel de Lanny Gordin.
Cheio de ruídos e improvisos, A todo Vapor traz grande versões de compositores ''novatos'' (Luiz Melodia), malditos (Wally Salomão) e marginalizados (Roberto e Eramsmo Carlos).

Detaques para Pérola Negra, Vapor Barato, Dê um Rolê e Mal Secreto.

1 Fruta Gogóia – Gal Costa – (Folclore) (0:40)
2 Charles Anjo 45 – Gal Costa – (Jorge Benjor) (0:26)
3 Como 2 E 2 – Gal Costa – (Caetano Veloso) (2:45)
4 Coração Vagabundo – Gal Costa – (Caetano Veloso) (3:44)
5 Falsa Baiana – Gal Costa – (Geraldo Pereira) (5:34)
6 Antonico – Gal Costa – (Ismael Silva) (4:46)
7 Sua Estupidez – Gal Costa – (Roberto Carlos & Erasmo Carlos) (4:02)
8 Fruta Gogóia – Gal Costa – (Folclore) (1:06)
9 Vapor Barato – Gal Costa – (Jards Macalé & Wally Salomão) (8:37)
10 Dê Um Rolê – Gal Costa – (Moraes Moreira & Galvão) (4:05)
11 Pérola Negra – Gal Costa – (Luiz Melodia) (4:44)
12 Mal Secreto – Gal Costa – (Wally Salomão & Jards Macalé) (5:02)
13 Como 2 E 2 – Gal Costa – (Caetano Veloso) (4:32)
14 Hotel Das Estrelas – Gal Costa – (Jards Macalé & Duda) (4:30)
15 Assum Preto – Gal Costa – (Luiz Gonzaga) (3:49)
16 Bota A Mão Nas Cadeiras – Gal Costa – (Folclore) (1:09)
17 Maria Bêthania – Gal Costa – (Caetano Veloso) (0:44)
18 Não Se Esqueça De Mim – Gal Costa – (Caetano Veloso) (1:59)
19 Luz Do Sol – Gal Costa – (Carlos Pinto & Wally Salomão) (5:22)

29/10/2010

Os Tincoãs - renda-se a pombagirice


Clara Nunes, Vinicius de Moraes e Baden Powell, Gilberto Gil, Elza Soares. Nas décadas de 1960/1970 a MPB incorporou  elementos musicais das religiões africanas - umbanda, candomblé, quimbanda - dando sentido ao termo "popular" de sua sigla. Na esteira da repercussão o grupo vocal Os Tincoãs incorporou ao seu repertório a musicalidade e o vocabulário das religiões de matrizes africanas.  

Formado inicialmente por Erivaldo, Heraldo e Dadinho os Tincoãs - cujo nome é originário de uma ave que habita o cerrado brasileiro - iniciou sua carreira em 1960 no programa da TV Itapoã "Escada para o Sucesso", interpretando canções, em sua maioria boleros, inspirados no sucesso do Trio Irakitan.

Em 1963 Erivaldo desligou-se do grupo e Mateus o substituiu que com os demais formaria a base principal do conjunto. Renovaram o repertório e partiram para adaptar os cantos de candomblé, sambas de roda e cantos sacros católicos, mas foram os terreiros de Candomblé que deram a base principal da musicalidade dos Tincoãs.

Em 1973 gravam o segundo disco produzido por Adelzon Alves, e o primeiro como representantes legítimos da música afro-baiana, este LP é um marco importante da música brasileira, não apenas pela qualidade das músicas, como também pelo arranjo com características de coral feitos a partir de canções oriundas dos terreiros de candomblé, tendo como base apenas quatro instrumentos: violão, atabaque, agogô e cabaça. 


21/09/2010

Construção - Ou o amor não acontece

* quem veio baixar Roberto Carlos, vá até o final do post.

Que me perdoem as comédias românticas e suas heroínas quarentonas, dessas que interpretam jovens distraídas que esbarram na alma gêmea no intervalo entre um cappucino e um cigarro, a verdade está concretada na saída do cinema e é tão gritante que o barulho das pipocas não abafa: O AMOR NÃO ACONTECE. 
A quem possa duvidar que continue reclamando da falta de sorte, devorando sorvete embaixo das cobertas e preparando jantares caseiros com as amigas e o gay da turma; mas não espere que o princípe se materialize à sua frente enquanto você junta o jornal e suas bugigangas que caíram no meio da calçada em uma manhã de segunda-feira modorrenta pois O AMOR NÃO ACONTECE.
Quem quiser encontrar o amor, vai ter que sofrer, vai ter que chorar e - mais do que verso de música - se readaptar. As comédias românticas mentem que atrás da cortina de lágrimas que sucede uma decepção há um amor novinho em folha  na próxima esquina, que nem é preciso fazer muito, espere, continue do jeito que você é ele te encontrará.
Ledo engano. Quem quiser encontrar o amor precisa definir uma estratégia, pavimentar andar por andar um arranha-céu sem querer desafiar a lei da gravidade - como as que esperam um noivado logo após uma mera cantada.
  • Estabeleça um perfil REALISTA que se encaixe nas suas expectativas. Isto é, se você quer uma relação séria pense em características mínimas que um pretendente deve apresentar para conviver harmoniosamente com você. Em bom português, não se envolva com vagabundos, preguiçosos, drogados ou ignorantes. Ok, ok, se você é dessa vibe reverta a ordem;
  • Respeite e curta as fases da relação. Mais importante do que questões mesquinhas como transar ou não no primeiro encontro, é o controle das próprias expectativas - e, consequentemente das cobranças. As relações humanas possuem estágios de intensificação progressiva dos laços afetivos ( isso fica claro quando o efeito do alcool se esvai pela privada e você está sóbrio, nauseante em uma casa estranha) e superar estas fases requer percepção. Não se precipite, se fizê-lo esteja preparado para ouvir um ''não'' e evite escâdalos, choros convulsivos e episódios de auto-piedade.
  • Esteja aberto para transmutar-se. Eu te amo do jeito que você é é lindo na voz do Barry White, todavia você não ouvirá isso ao engatar uma relação - a não ser que você esteja saindo com um crooner. As relações humanas são marcadas  pelo ensino e aprendizado e, ao mesmo tempo,  são campo de batalha pela manutenção da nossa unicidade.  Ficar, namorar, casar, amigar, seja qual for o tipo de relacionamento requer uma disponibilidade de se adaptar e chegar num consenso sobre quais costumes, preferências sexuais, traços da personalidade devem ser expostos, abrandados e aperfeiçoados.
  • Viva o bastante para encontrar a pessoa certa. Viver,  esse verbo difamado por pieguices, redundantes, ainda é a melhor forma para construir uma relacionamento que pode a vir se tornar um amor ou uma dor de cabeça. Por melhor que sejam manuais como este que vos fala, é com  muita experimentação que saberemos quais os cuidados necessários para não quebrarmos a cabeça nas próximas investidas. Dê.
Ainda sim, se você quiser seguir a cartilha das comédias e ser amada incondicionalmente pelo jeito que você é, pegue seu banquinho e um sintetizador e torne-se uma diva pop-gansgta que pelo menos lhe dará mais dinheiro.
Só não esqueça: O AMOR NÃO ACONTECE.







Roberto Carlos - 1971 baixe aqui!!!

  1. Detalhes
  2. Como Dois E Dois
  3. A Namorada
  4. Você Não Sabe O Que Vai Perder
  5. Traumas
  6. Eu Só Tenho Um Caminho
  7. Todos Estão Surdos
  8. Debaixo Dos Caracóis Dos Seus Cabelos
  9. Se Eu Partir
  10. I Love You
  11. De Tanto Amor
  12. Amada, Amante

26/07/2010

Diana: Quando não existiam ansiolíticos

Massoquismo, fatalismo, auto-piedade. 

Esses adjetivos e adjacentes, até os idos da década de 60 e 70, ressoavam nas caixinhas de som afônicas sintonizadas nas rádios AM. Nos versos de (des)amor os cantores populares cantavam o lado oculto do brasileiro: a melancolia. Manchando a crença de que o brasileiro tem a alegria inscrustada em seu genoma.

De 1980 pra cá alegria e melancolia perderam espaço pra pro-atividade. Reclusão e açoitamento deram lugar a autovalorização e "volta por cima".
Enquanto Diana destilava contradições em seus versos (Tenho a impressão que do amor que uma dia existiu entre nós/ Hoje só resta uma chama apagando/ O medo de ficar só me apavora/ E eu me desespero/ Só me resta pedir sua ajuda/ Pedir que você não me deixe meu amor) como uma mulher choramingando na porta, de malas prontas, ameaçando ir embora mas desejando em seu íntimo ser impedida em gestos arrebatadores de paixão. O tecno brega diz O que pensa que eu sou?/ Se não sou o que pensou, me libera/ Não insista/ Vai viver um outro amor, numa tentativa desesperada de demonstrar força e amor próprio depois de um abandono. 

Diana, Odair José, Waldick Soriano e afins são do tempo em que não havia ansiolíticos - ou talvez não eram tão populares - quando se cutucava a ferida com o dedo sujo, sempre à flor da pele, se remoía a dor na ponta dos dedos. De quando não havia paz e felicidade na tarja preta.

Recomendo
Diana: foi tudo culpa do amor









* Curiosidades: Raul Seixas, sob o pseudonimo de Raulzito, foi produtor de Diana no começo da carreira. É autor de petardos romanticos como Fatalidade, Porque Brigamos, Tudo Que Eu Tenho e Canção dos Namorados e Ainda Queima a Esperança


Baixe seus níves de serotonina, acetilcolina, dopamina, epinefrina e norepinefrina aqui.

faixas:
1. Uma Vez Mais
2. Amor Só Se Paga Com Amor
3. Lá Fora Faz Muito Frio
4. Esta Noite Lhe Digo Que Não
5. Estou Completamente Apaixonada
6. Meu Lamento
7. Fatalidade
8. Por Que Brigamos
9. Ainda Queima A Esperança
10. Canção Dos Namorados
11. Vivo Só Pensando Em Ti
12. A Música Da Minha Vida
13. No Fundo Da Minha Vida
14. Quero Te Ver Sorrindo
15. Tudo Que Eu Tenho
16. Um Mundo Só Pra Nós
17. Hoje Sonhei Com Você
18. Sinceramente
19. Você Tem Que Aceitar
20. Agora Que Sou Livre

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