Sullivan e Massadas no idílico mundo das botas brancas

Nesse espetáculo iluminado por sóis de espuma e tinta guache, aprendíamos a suprimir as frustrações repetindo o mantra "sonhar é poder" entoado logo no café da manhã ao mastigarmos o pão velho com manteiga e sem mordomo pra nos servir.

The Runaways: Serotonina inundando os ouvidos.

O debut é uma overdose de serotonina e estrogênio inundando os ouvidos, inflamando os sentidos, deixando os mamilos dormentes e uma vontade doida de trepar.

Do right woman! A frágil irmandade feminina

Enquanto os homens são capazes de machucar o meu corpo, as mulheres têm o poder de destruir minha alma.

Janele Monáe: Andróide do Pop

Janelle Monae lança mão de todos os ingredientes disponíveis para o sucesso de uma diva pop: estilo musical da moda (hip hop), batida e refrões marcantes, duetos, empolgação, romantismo.

Gang 90: O primo pobre da Blitz

Um sonho estranho nas paredes do prédio, prefiro morrer de vodca do que de tédio.

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10/10/2011

Sullivan & Massadas no mundo das botas brancas


Pompons coloridos ao vento do ar-condicionado, um homem vestido de mosquito simula tocar uma guitarra de esponja, adolescentes coxudas dançam em volta de uma gringa fantasiada de cacique western que convida as crianças a brincarem de índio enquanto é observada por nativos perplexos, tapando suas vergonhas sob calções da Umbro.

Xuxa, Mara Maravilha e outras manequins eram a porta-vozes da febre indianista que dominou os anos oitenta. Sem poesia, métrica ou nacionalismo, mas recheado de mensagens idílicas; o resgate do índio era mais um artificio para colorir o mundo de chocolate dos programas infantis em pérolas como índio ficou sozinho/índio querer carinho/índio querer de volta a sua paz ou Tuiuiu iu iu/ Sou curumim iê iê/ Tuiuiu iu iu/ Sou curumã arauê.


Bem aventurados os que estudavam à tarde. A eles que o idílico mundo das botas brancas se desvelava sem corruptelas: naves espaciais com efeito néon, desjejum de rainha, mascotes com nomes de doença epidêmica, lições de bom mocismo para as crianças de apartamento e  lolitas de shorts em rituais satânicos subliminares. 

Faz de mim estrela, que eu já sei brilhar!
Nesse espetáculo iluminado por sóis de espuma e tinta guache, aprendíamos a suprimir as frustrações repetindo o mantra "sonhar é poder" entoado logo no café da manhã ao mastigarmos o pão velho com manteiga e sem mordomo pra nos servir; a procurar compensações pois quem não tinha genes germânicos dominantes para ser paquita podia preconizar a puberdade com os dorsos nus e sem pêlos dos paquitos e a vislumbrar príncipes encantados em espécimes improváveis como o desastrado entregador de pizza encorajado por uma skatista de doze anos de Lua de Cristal.

Não importa se falta inteligência, sorte e Marlene Mattos em sua vida; com fé no cara lá de cima era possível realizar todos os sonhos desde mandar beijos pra mamãe e papai em rede nacional até enfeitar o céu com as cores do amor. Contudo, não era somente com sertralina, mantras otimistas, merchandising e "xuxes" que o mundo da alegria inesgotável se sustentava: refrões grudentos eram essenciais na tarefa de espalhar a boa nova e a dupla de compositores Michael Sullivan e Paulo Massadas eram os principais apóstolos.

Muito além de ilariês, Sullivan e Massadas eram os hitmakers do cancioneiro infantil ao produzirem o grupo Trem da Alegria. Os versos da dupla abrangiam todas as fases da infância e pré-adolescência desde mundos fantásticos e jogos de linguagem (É de Chocolate, Uni Duni Tê), descoberta do amor (Pique-pega esconde e Pra ver se cola), reverência a ídolos fora de atividade, fenômeno típico da  puberdade (O Atleta do Século) e anseio por independência na surpreendente Certo ou Errado de Patrícia Marx em carreira solo (Quem não pula o muro/ não aprende a se arriscar/ .../Deixa a vida me ensinar/Eu vou provar/Pra saber escolher).


Sonho encantado onde está você?

No universo das apresentadoras infatilóides, as letras da dupla foram revestidas com clichês de auto-ajuda (Lua  de Cristal), reverência à "rainha" (I Love you, Xuxu), otimismo inebriante (Arco Íris) e mensagens baratas de conscientização somadas ao canto claudicante de Xuxa. Mesmo assim, os mestres Sullivan e Massadas mantinham a excelência lançando mão de solos de guitarra e linhas de teclados lisérgicas, colocando um sabor agridoce neste reino hiperglicêmico.

Com explosões matinais de alegria, o mundo das botas brancas desfraldava a bandeira da realização implacável dos sonhos sem a hipótese de que o algodão-doce poderia virar fumaça. Xuxa é o ícone de uma geração que encara a felicidade como um direito inalienável, onde o sofrimento é um erro ou sinal de doença e as intempéries podem destruir a noção de felicidade.

1.     Certo ou Errado - Patrícia Marx
2.     Festa do Amor - Patrícia Marx
3.     Sonho de Amor - Patrícia Marx
4.     É de Chocolate - Trem da Alegria
5.     He-man - Trem da Alegria
6.     Iô-iô - Trem da Alegria
7.     Pique-pega escone - Trem da Alegria
8.     Pra ver se cola - Trem da Alegria
9.     Thundercats - Trem da Alegria
10. Tic tac do amor - Trem da Alegria
11. Uni duni tê - Trem da Alegria
12. Arco íris - Xuxa
13. Brincar de índio - Xuxa
14. I love you Xuxu - Xuxa
15. Lua de Cristal - Xuxa

    26/04/2011

    Julia Graciela: Mulher moderna usa Assolan

    Madonnas ou Amélias, submissas ou independentes, mulher-fruta ou mulher-cesta básica; não importa o rótulo e sim o fato: lugar de mulher é na cozinha.

    Não, não é falta de corporativismo da minha parte. A verdade foi revelada nos reclames do Jornal Nacional e proclamada por um velho companheiro das mulheres. Atrás de uma bancada cheia de produtos de limpeza Marisa Orth, Monica Iozzi e Dani Calabresa se revezam em xingamentos violentos e ironias toscas afirmando que mulher evoluída é quem zela e luta pelo asseio da privada, o fogão desengordurado e o extermínio dos ácaros.

    Que se danem as greves nas portas das fábricas, esqueçam os debates sobre a pílula e a conquista de direitos milenarmente masculinos. Simone Beauvoir, quebrou tabus por uma só causa: a liberdade de xingar os maridos sem levar uns sopapos. Com um Bombril na mão e a Lei Maria da Penha embaixo do braço, nada irá nos deter!

    É fácil imaginar a satisfação das donas-de-casa ou adeptas da dupla jornada, escondendo um sorriso no canto da boca e repetindo a si mesmas, logo após o comercial, o rosário que desfiam com as amigas: é isso mesmo, homem só serve pra aquilo e olhe lá. “Aquilo” que é tratado como elemento sacro da relação, é tema discutido, esmiuçado e responsável por zilhoes de preocupações; “aquilo” que as mulheres-bombril dizem ser bem-resolvidas enquanto na verdade mal tocaram o próprio clitóris.

    Posam de femme fatale, de personagem dos clipes da Rihanna enquanto não passam de arremedos da Julia Graciela.

    Sonhos desbotados
    Presença constante no programa do Chacrinha, Julia Graciela tornou-se conhecida pela crônica cantada Anúncio de Jornal. Uma mini tragédia com aroma de Mon Bijou: em tempos que não havia processo por assédio sexual, a história da moça intocada que é seduzida pelo chefe, e depois de apaixonada, desvirginada e amaciada é demitida sem justa causa metia medo nas estudantes do curso de datilografia.
      Julia graciela - Anúncio de Jornal 

    Autora de pérolas da submissão emotiva como Não interessa se eu sou a outra/o importante é ter você (Eu sou aquela); as canções da argentina são o supra-sumo de tudo aquilo que as mães e tias nos ensinam a ser em matéria de relacionamento: insegura, ingênua, masoquista, submissa, suplicante por raspas e restos de afeto. Defeitos que passamos a vida toda tentando consertar.

    Ao longo dos anos oitenta o fatalismo e auto-piedade de ícones como Julia Graciela, Diana e Perla foi soterrado pela imagem da mulher autosuficiente, poderosa e decidida. Onde “mulherzices” que o feminismo lutou por abolir (fragilidade, dependência econômica, instabilidade emocional) só são reivindicadas quando convém;  isto é nos livramos da obrigação de lavar cuecas mas ainda exigimos que o homem mantenha seu papel de macho provedor.

    Destilando a misandria  
    O movimento feminista se perdeu na curva, diluiu-se em demonstrações de misandria (termo quasedesconhecido que define a aversão gratuita e radical ao gênero masculino). Perdeu o propósito na futilidade disfarçada de sexualidade voraz das personagens de Sex and the City, nos suvacos peludos de Beth Ditto e na burrice das mulheres-frutas. Pois ao reivindicar a liberação sexual e a divisão democrática do trabalho, as companheiras exageraram na dose e dividiram-se entre mulher-objeto e mulher-abjeta.

    A sensualidade a flor da pele das divas pop alimentou o monstro do corpo perfeito e erotizado, construído para provocar ereções a cada passo e sempre disposto para o sexo. Auto-proclamadas independentes e modernas, nós, anônimas, cedemos a submissão ao buscarmos obstinadamente o orgasmo mais intenso, a sinfonia de assovios e os olhares mais devassos.  Tentamos ser Barbie, enquanto as amarras da normalidade, fiéis a lei da gravidade, gritam que somos representadas por Bridget Jones e Maitena. 

    As abjetas exploram até as últimas conseqüências a pertinência de uma noção arcaica do consciente coletivo: mulheres são boas selvagens (tal como os índios) não importa a ordem e a dimensão de suas falhas, a culpa é e sempre será do homem – por exemplo se ela trai, foi o homem quem deixou de satisfazê-la. Para elas , a mulher é superior por ter um ventre e a negatividade estrutural e ética da humanidade emana das virilhas peludas dos machos. 

    Na pretensão de representar a mulher moderna, a campanha do Bombril presta um desserviço a igualdade dos sexos. Ao imaginar que a nossa felicidade é uma liquidação de Pinhobril, Marisa e companhia destilam misandria camuflada de piadinha e concomitantemente reforçam a noção de mulher-objeto, sempre disponível e dedicada ao homem seja na cozinha ou na cama.  

    Feita para amar e ser só perdão, Julia Graciela com suas doses homeopáticas de lamúrias e sofrimento é a lembrança insistente de que a busca por autonomia nao suprime o desejo feminino de ter um macho pra chamar de seu. 
      
    A Popularidade de Julia Graciela aqui!
    01. Anúncio De Jornal
    02. Por Amor Demais
    03. Amantes
    04. Despedida
    05. Coração Rebelde
    06. Talvez Foste Tu
    07. La Canción Del Te Quiero
    08. Saudade De Você
    09. Eu Sou Aquela
    10. Sem Você Não Tenho Nada
    11. Manuela Mulher
    12. Amiga Do Vento
    13. Desiludida
    14. Escreva-Me Uma Carta




    O FILME: Uma curiosidade é que "Anúncio de Jornal" virou filme com o mesmo título, rodado na boca do lixo paulistana em 1984, sob a direção de Luiz Gonzaga dos Santos, seguindo uma tendência da época de transformar em película clássicos da música popular. 

    13/04/2011

    Retratos do Brasil: é tudo pose

    O pica das galáxias
    Músico, graduado em Direito, poliglota e judeu convertido. Homem generoso que não poupa esforços pelo conforto da família e amigos. Criado em uma família de classe média alta, por amor a sua origem humilde e identificação político-ideologica logo cedo envolveu-se com os líderes  do morro do Borel e passou a cantar sobre o cotidiano sofrido de seu povo em pérolas poéticas como   Passa o pau na cara dela ,  Ela mama no meu ganso  e  Bumbum não se perde . 

    Com versos machistas, meias verdades e exposição de esfíncteres, MC Catra conquistou corações e mentes (vazias) do morro e do asfalto por diferentes razões. Para as fãs as músicas de Catra são a oportunidade de exibir o corpo e se esfregar em todas as virilhas peludas disponíveis, numa demonstração refinada da sensualidade brasileira. Para os sociólogos, formados nos programas da Regina Casé, Catra corporifica a criatividade do “povo” - afinal fazer versões despudoradas de canções pré-existentes é coisa que só a sagaz cabeça do brasileiro pode fazer. Para os homens, ele lembra aquele colega da oitava série,bagaceiro e sem noção, que mostra o pau pras criancinhas e aterroriza as tias velhas torpedeando palavrões a cada olhar enviesado. 

    O porra louca, o maluco, o vilão.
    Multi-instrumentista, um dos fundadores do Brock e ateu convicto. Homem mordaz que coleciona desafetos e polêmicas. Virou ícone de uma geração com a qual não se identificava, entrou no mainstrean como integrante da Blitz mas abandonou a banda às portas do sucesso, enfileirou hits na carreira solo mas comprou briga com as gravadoras, cheirou milhas de cocaína, foi preso diversas vezes por porte de drogas e ficou na cadeia por três meses.

    Na penitenciária de Bangu, dividiu a cela com os líderes do Comando Vermelho, tornando-se uma espécie de mascote da facção durante anos.  Enfrentou a turba enfurecida no Rock in Rio 2 por tentar fundir rock com a bateria da Mangueira, é persona non grata  entre artistas e executivos por lutar  pela numeração dos discos e fez um dos melhores  álbuns da "axé-zenta" década de 90. Sua trajetória inconstante, a paranóia de que Herbert Vianna o imita e o despudor em criticar colegas e denunciar os esquemas sórdidos da indústria fonográfica colocaram Lobão no rol dos artistas loucos, problemáticos, quase irremediáveis.  Ignorado pelas rádios, excluído do revival oitentistasua carreira oscila entre o sucesso e o fiasco.

    Antimonotonia e bundamolice
    Verborrágicos e provocadores Catra e Lobão lançaram na mesma época a versão oficial de suas trajetórias: o documentário 90 dias com Catra e a autobiografia Lobão – 50 anos a mil. 

    Lobão não poupa afetos e inimigos, destilando em mais de 600 páginas aquilo que o brasileiro mais abomina: pensamento crítico, ateísmo, indiferença com a instituição família. Pois aqui, critica é levada para o pessoal, duvidar da existência de Deus é ofensa e admitir que o vínculo familiar não basta para amar é doença. Alheio ao clima de “deixa disso” e “não-comprometimento”, o compositor desafia a “bovinice” brasileira a cada entrevista tendo como único censor as reminiscências das doses cavalares de cocaína.

    Em tempos em que pose é tudo, Catra personifica a canalhice consentida e se apresenta como o rei da boiada. Na mira da PM devido aos “proibidões” (funks que exaltam a bandidagem e incitam a violência contra policiais), o funkeiro poliu sua imagem investindo pesado na temática predileta do brasileiro: putaria.
    Catra não é formado em Direito, cursou somente dois anos, mas no Brasil ser quase um doutor já dá status de pessoa “estudada” que deve ter suas opiniões respeitadas por default. Sexualmente libertário porém machista, cercado de amigos, filhos e esposas Mc Catra distribui conselhos, gargalhadas e ignorância geral entre goles de cerveja, salsichão e maconha: mulher é feliz hoje, se vivesse na Idade Média e fosse gostosa ia morrer queimada porque aqueles caras eram tudo viados, não gostavam de gostosa ou  Tu precisa estudar. Teu pai estudou muito, hoje já não preciso ler pois já sei o que tá escrito.

    Harmonizando a imagem de cafajeste mas bom pai; de homem simples  porém culto; o resultado de 90 dias com Catra é um mosaico de meias-verdades e demonstrações patéticas de pseudo-inteligência.Catra ganha louros e respeito por ser um retrato do brasileiro médio: bundamole, cafajeste, hipócrita, irresponsável, impressionável com a pose sem pensar na essência, é o pica das galáxias. Lobão, por ser polêmico, é tachado de violento, virou caricatura e tem sua personalidade diluída em meros adjetivos: porra-louca, maluco, vilão. É o veneno antimonotomia contra a bundamolice da MPB.














    31/03/2011

    Toda tosquice será perdoada: a trilha de Maria

    Quatro horas sob tortura: hematomas, cansaço, água fria e trombadas contra a parede. Os corpos cansados mergulham no silêncio para resistir a tentação de entregar os pontos;  até que num rompante non-sense ela canta esganiçada e alegremente: Já chegou, já chegou/Novamente a bonança/Todo mal já passou/Já voltou a esperança/Vamos dançar e namorar/Sempre alegre ser/Vivendo assim a sorrir/ A vida tem mais sabor/ É o tempo do amor.

    Poderia ser Wanderléa abrindo os trabalhos no álbum homônimo, saudando o tempo do amor no alvorecer da ditadura militar; mas é somente Meg Maria Merillo em mais uma demonstração da irritante e pavorosa alegria dos ignorantes. Ignorância que quando confinada nas curvas de uma fêmea é mais atributo do que ofensa, atrai testosterona, perdoa tosquices e gera grana, muita grana.

    Depois de agraciar os gays e desvalidos, faltava romper o penúltimo grilhão contra o opressor – o homem branco, hétero e remediado - e conceder o prêmio para uma representante do sexo frágil. Ou em uma fala bialesca, agraciar uma deusa que passeou distraída pela Ágora tropical que uma década de BBB criou. 

    Mata-me depressa: de Maria Madalena Meg a simplesmente Maria

    Tal como os um album de Wanderléa, amor, separação, dor e vingança boba andaram de mãos dadas na trajetória de Maria. Com a urgência típica dos adolescentes envolveu-se cedo com um dos participantes; enviuvou em um luto que diluiu-se após duas latas de cerveja e na aparição de um outro alguém.

    Mas o ex voltou das trevas do “mundo lá fora” com sangue nos olhos, sentindo-se traído pelo passado e presente como Meg e ela passou a exalar por todos os poros masoquismo e auto-piedade, incorporando a Ternurinha da Jovem Guarda em escândalos que só são bonitos nas canções de dor-de-cotovelo: eu quero tanto um pouco de carinho/não me maltrate/não seja tão ruim/está em seus olhos que você gosta de mim, suplicava embaixo do edredon ou atirando a calcinha no rosto do seu algoz. Cansada de se humilhar sem ganhar um mililitro de saliva, leu algumas páginas de um manual para conquistar homens, fez uma prova de fogo com o ex e saiu por aí repetindo o consolo dos rejeitados: ele não me merecia.

    Entregou-se a outro bem, para delírio do público feminino que via os conselhos de mãe se concretizar em tempo recorde: pare de chorar, logo logo você vai encontrar alguém melhor que ele. E pra coroar a sorte grande, o novo amor de Maria era um doutor que ostentava cavalheirismo (ou bananice?) e beleza em altas doses; que não hesitou em protegê-la mesmo ciente de que ela jamais hesitou em votar nele para a eliminação.

    Enquanto os colegas de confinamento brigavam por miudezas como combinação de votos, alianças sexistas e auto-marketing para faturar um milhão e meio de reais, Maria viveu o programa como uma guria de 13 anos em férias de verão: só pensava em amar e ser amada - verbo conjugado no tempo etéreo, onde qualquer atração é impar e arrebatadora.

    Bial e alguns analistas teimam em acreditar que a vitória é um sinal de ruptura no conservadorismo da moral do brasileiro - uma mulher dadivosa, que ficou com dois homens no programa, que dizia aos quatro ventos que sentia falta de sexo, conseguiu conquistar a preferência do público – e que a auto-flagelação de Maria foi assunto em botequins e rodas de café.

    Ledo engano, o público do programa é afeito a narrativa folhetinesca e ao encarnar a mocinha apaixonada e rejeitada, Maria eclipsou Meg e seu passado obscuro disponível em qualquer sextube. Conquistou o público feminino que identificou-se com alguém que erra por “amar demais”, e o séquito masculino pela beleza e burrice, pois é bonitinho e meiguinho ser burra (para alguns incautos é  até sinal inconteste de feminilidade).

    Maria ganhou o milhão e meio por ser exatamente o que se espera que uma mulher seja: burra, traíra, sentimental, inofensiva e inconseqüente.  


    Ouça a trilha de Maria: Wanderlea - 1967 



    Faixas:
    01. Gostaria de Saber
    02. Nenhuma Carta Sua
    03. Vou lhe Contar
    04. Você Tão Só
    05. Ele é Meu Bem
    06. Menina Só
    07. Hei de Encontrar Meu Bem
    08. Acho que Vou lhe Esquecer
    09. Horóscopo
    10. Te Amo
    11. Prova De Fogo
    12. Meu Bem Só Gosta de Mim
    13. Vou Conseguir
    14. Vou lhe Deixar

    16/02/2011

    Do right woman!! A frágil irmandade feminina

    Mulheres unidas são capazes de  feitos memoráveis: dar o ponto certo da massa da empada, acabar com o tesão dos Beatles em cantar ao vivo, libertar-se de repressão milenar em poucas décadas, soterrar a caixa postal do João Bidu e fazer música boa como provam as divas do jazz, as rainhas do pop e as “sacudas” do rock.

    Mulheres unidas também são capazes de equívocos memoráveis como não entender/ignorar/subestimar a fórmula da empatia entre persona e público de um reality show que já está na sua décima primeira edição.  Passam anos, passam Anas, e as sisters SEMPRE caem no erro craso de criar um clube da Luluzinha sob o lema equivocado, burro e utópico de Mulher nunca ganhou um BBB! .

    Equivocado pois, duas mulheres já ganharam o milhão: a babá Cida e a tiazona Mara. Venceram por serem pobres, por darem chance ao público de fazer justiça social com as próprias mãos, ou melhor, com as ligações. Não ganharam por serem representantes do sexo “frágil”, e sim por representarem aquilo que vemos (talvez sejamos) todo o dia, mas que a televisão odeia mostrar: pobreza, baixa escolaridade, tragédias familiares, fatalismo, acalento do sonho da casa própria a cada prestação do Baú da Felicidade.

    Destruidoras de almas.

    Mulheres unidas perigam ser vencidas quando seus interesses entram em conflito. Mulheres frustradas são capazes de ultrapassar os limites da competição saudável e justa por uma gama variada de motivações: pretendentes, cargos, beleza, cantadas.

    Diana e seus delírios "As mulheres vão dominar o mundo"
    Em uma situação de confinamento como o BBB, onde amizades e amores transitam entre o “para sempre” e o “nunca mais” a fragilidade dos relacionamentos femininos evidencia-se: as sisters formaram uma máfia para eliminar os homens, os mesmos machos que elas assediam nas festas sob a desculpa da bebedeira; agora se voltam contra igual por pura inveja. Adriana foi isolada pelas mulheres por ser bela, enquanto os homens a ignoram por respeito ao interesse do belo e burro Rodrigão.

    No livro Twisted Sisterwood a escritora norte-americana Kelly Vallen expõe as distorções da dita irmandade feminina, reiterando os conselhos das nossas avós: 90% frequentemente percebem maldade e negatividade emanando de outras mulheres, 85% afirmaram ter sido traídas por suas amigas, 75% disseram ter sofrido com o comportamento de amigas íntimas ciumentas e competitivas - um dos seus maiores traumas é um exemplo de como as mulheres podem ser cruéis umas com as outras quando sentem ciúme ou são ameaçadas: numa festa da faculdade Vallen bebeu demais, foi abusada por um colega, não foi socorrida pelas amigas que ainda a repreenderam, expulsaram-na do alojamento e criaram uma rede de intrigas que se estendeu por todo o curso.

    Antes que fiquem de mimimi: as mulheres não estão fadadas a serem desleais, o que faz com que elas sejam mais propensas a comportamentos traiçoeiros é a forma com que trabalham suas frustrações e raivas: internalizando-as, remoendo-as, evitando a todo o custo o confronto direto. A válvula de escape, algumas vezes, acaba sendo “vinganças” bem peculiares. Como disse Valen: Enquanto os homens são capazes de machucar o meu corpo, as mulheres têm o poder de destruir minha alma.

    Feministas míopes

    Diana, Nathalia e companhia também demonstram altos índices de burrice ao acreditarem piamente que o público atenderá aos apelos de uma manifestação sexista e anacrônica: a mulher vai dominar o mundo, somos mais sacudas que os homens dessa casa, mulheres unidas jamais serão vencidas Uhu!!

    Ignoram que há tempos a sociedade não está mais dividida em simples dicotomias: homens x mulheres, pobres x ricos, negros x brancos. Dentro das ditas minorias há um mar de interesses difusos, basta observar as diferentes características do elenco feminino do programa: bissexuais, transexuais, ingênuas, carentes, bobas alegres... O que as unem além do fato de terem uma vagina? O hino feminista Respect, na voz de Aretha Franklin, é um exemplo da heterogeneidade das “minorias”. Quem sentia necessidade de pedir respeito nos EUA sessentista? Mulheres de todas as etnias, negros reprimidos por décadas de segregação, jovens sob a sombra do alistamento. 

    Negra, mulher e artista, Aretha Franklin bradava por respeito a todas as diferenças; e não tinha reservas em cantar sua feminilidade no álbum I Never Loved a Man (The Way I Love You). Ironicamente, Ottis Redding compôs a canção na intenção de pedir respeito e reconhecimento a uma mulher, a versão de Aretha somente reverteu os papéis. 

    É preciso distinguir feminismo de revanchismo sexista. Colocando de lado teorias e radicalismos o princípio básico do feminismo consiste na igualdade economica-cultural-social entre os sexos, porém com os estrogênios em ebulição muitas defensoras do feminismo enveredaram pelo caminho da revanche discursando à exaustão o quanto são mais fodas que os homens: somos mais sensíveis, mais compreensíveis, a vagina tem poder.... E se perdem quando pensam que o caminho para a igualdade é imitar e superar as características masculinas.

    Vencida a etapa da igualdade básica de oportunidades entre mulheres e homens, o feminismo no século XXI tem questões complexas a tratar: como investir na sensualidade sem retroverter a condição de objeto sexual? Como exaltar a feminilidade num mundo predominantemente masculino sem ceder ao revanchismo? Como falar abertamente do apetite sexual sem parecer uma puta aos olhos de outros? 

    Questões que a tropa de calcinha do BBB está muito longe de ajudar a responder, precisam amadurecer as regras do clube da Luluzinha e abolir as simplificações infantis. Se eu fosse o Bial, diria: Feministas, crescei-vos.. o recreio acabou.
    01 respect
    02 drown in my own tears
    03 i never loved a man the way
    04 soul serenade
    05 dont let me lose this dream
    06 baby baby baby
    07 dr. feelgood
    08 good times
    09 do right woman - do right man
    10 save me
    11 change is gonna come
    12 respect stereo
    13 i never loved a man the way (i loved you)
    14 do right woman - do right man




    03/01/2011

    A construção do homem gentil, gentil até demais

    A psicóloga norte-americana Joyce Brothers ao analisar um fenômeno da cultura pop sentenciou:
    - Eles adotam certos maneirismos que beiram os limites do feminino (...) E são exatamente esses maneirismos que parecem atrair mais a sua legião de fãs femininas mais jovens, na idade entre os 10 e 14 anos. E isso porque, logo no início da adolescência, a menina acha mais atraente as características delicadas e femininas do que as atitudes másculas. A explicação parece ser o fato de que esses jovens projetos de mulher ainda se aterrorizam com a idéia de sexo. Então sentem-se mais seguras amando figuras não muito definidas, não claramente masculinas.
    Seria Justin Bieber? Jonas Brothers? Luan Santana?!! Não, não e não. O ano é 1965, e os afeminados da época eram os Beatles e as inúmeras bandas/cantores do estilo que pipocaram pelo mundo.
    A paixão das pré-adolescentes por ídolos que flertam com a feminilidade ou com a infantilidade, evidentes no modo de se vestir e se comportar é um fenômeno crescente, porém antigo.E não está restrito as paredes do quarto, nos casais pré-adolescentes a diferença visual é gritante: o guri mais pegador é aquele das bermudas largas, camisetas gritantes, tênis à smurf´s e gestos espalhafatosos. Por mais que os jovens façam filhos e sexo, as gurias pré-adolescentes têm medo de macho sim.
    Em uma revisão rápida das ultimas quatro décadas da cultura pop, o ideal de beleza masculino foi perdendo pêlos no rosto e no corpo, afinando o queixo, amaciando a fala e incorporando preocupações essencialmente femininas como encontrar um grande amor ou começar uma família.
    Símbolos sexuais com cara e pinta de homem como Sean Conery e Paul Newman é démodê, George Clooney e Daniel Craig não têm vez na capa da Capricho e ver 007 esbofeteando uma mulher em crise de histeria só no VHS. As comédias românticas, a música pop e o divórcio - os meninos passam mais tempo da infância na companhia de mulheres: mãe, avó, professora, “tia do SOE”, apresentadoras de TV - geraram o galã sensível, de ombros curtos e sorriso largo que forraram nossos armários em um momento ou outro: Rob Lowe, Tom Cruise e Prince nos anos oitenta; Brad Pitt, Nick Carter e Leonardo di Caprio nos noventa; Justin Timberlake, Orlando Bloom, Justin Bieber e Jonas Brothers agora.
    As conseqüências são devastadoras, pois a mídia ao amplificar o “medo do macho” e promover a “sensibilização do galã” estimula uma tendência desprezível do comportamento feminino: o apreço por ser mimada, desejada e admirada sem fazer nenhum esforço.
    A exaltação dessa postura é evidente ao analisarmos os personagens e as suas relações na série Crepúsculo. No filme dois galãs “sensíveis”, o vampiro vegetariano Edward e o lobisomen depilado Jacob, por um motivo incompreensível, disputam o amor da mocinha Bella. Insossa e virgem, Bella posa de destemida e cheia de atitude na primeira metade do filme: corre atrás do gatinho, abraça-o enquanto ele confessa “eu já quis matar você” e ainda despreza os colegas da escola. Pudera, Bella é uma jovem da capital, é inteligente e tem preocupações mais importantes do que participar do jornal da escola, ouvir música e ir ao baile de fim de ano; lembrar de comer sanduíche antes de ir pra casa dos vampiros é bem mais edificante. 
    Contudo, a coragem some quando suas hemoglobinas começam a despertar os instintos mais primitivos dos vampiros e Bella corre para a torre de princesa e assiste impassível Edward enfrentar os vampiros “do mal” que querem seu sangue. Ok, ela não tem poderes sobre-humanos para bater de frente com os vampiros, mas dentes de alho e crucifixos são fáceis de encontrar no Wall Mart mais próximo.
    O sangue e o selinho de Bella são protegidos por Edward que, frouxo como o galã típico do novo milênio, não quer desposá-la antes de assumir um compromisso seriíssimo. No entanto, Bella sente falta de ser desejada com mais ardor e ousadia - mesmo sendo tão proativa quanto um feto natimorto, pois o beijo mais quente do filme é iniciativa do atormentado Edward. Para dar uma migalha de lascividade no romance surge Jacob: um lobisomem sem pêlos, com olhar de coitado e um pouco de ousadia e que também quer protegê-la. Protegê-la do quê?! Só se for da própria nulidade.
    É impossível ignorar o famoso videolog onde o crítico Maurício Saldanha defende que a protagonista é um exemplo de mulher forte e independente. Espero que seja troll ou Saldanha sofre de analfabetismo funcional pois Bella é inconseqüente, submissa e burra. Muito longe de ser considerada heroína, mais perto de ser uma vagina pouco falante. Não, Bella não me representa, Sarah Connor, Elena Fischer e Chloe Frazer são símbolos de independência que me inspiram.
    E a saga continua, solidificando a exigência feminina por um ideal de comportamento masculino impossível, uma mistura sensitiva entre o canalha e o cavalheiro: um homem compreensível quando ela chora, agressivo quando ela geme, surdo quando ela grita, obediente quando ela reclama e que a ame do jeito torto que ela é.

    20/12/2010

    A mágoa em chuteiras

    *resumo do artigo "A mágoa em chuteiras - o dia em que o Rio Grande vaiou o Brasil" do professor doutor em História da UFRGS Cesar Guazzelli – e meu admirável orientador, porém colorado, e especialista em História Social do Futebol.

    1972. Porto Alegre. Beira-Rio, 110 mil brasileiros vaiam impiedosamente a Seleção Brasileira. Não era um ato de protesto político e sim de vingança bairrista pela ausência de gaúchos na convocação de Zagallo para a Taça Independência (comemorativa aos 150 anos da Independência, seria disputada no inverno de 1972 em vários estádios do país).

    Faltava o lateral-esquerdo Everaldo, tricampeão gaucho pelo Grêmio e titular na Copa de 70 - a estrela dourada na bandeira do Grêmio representa o primeiro gaucho a vencer uma Copa – e o colorado Claudiomiro, destaque da temporada de 1971.

    A imprensa gaúcha comparava a ausência de conterrâneos com a presença ostensiva de mineiros ‘’questionáveis’’ como: Dirceu Lopes e Wilson Piazza, do Cruzeiro, Dario e Vantuir, do Atlético Mineiro.

    A crise trouxe à baila a ideia de um Rio Grande sempre esquecido, relegado a um segundo plano do futebol brasileiro, e que, no entanto, sempre cumprira a sua parte quando lembrado. A “afronta” ao tricampeão Everaldo ganhava foros de ofensa a todos os rio-grandenses. Num raro momento de união entre colorados e gremistas, fortalecia-se a identidade gaúcha justamente quando a ditadura tratava de moldar um Brasil de fantasia, unido, próspero e feliz, muito bem representado pela seleção. Para contornar a situação, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Rubens Hoffmeister, desafiou a seleção brasileira para uma partida contra um combinado estadual. Depois de muitas negociações, o jogo foi marcado para o dia 17 de junho de 1972.

    A seleção gaúcha, ou “combinado grenal”, convocou somente jogadores da dupla e tinha Ancheta (uruguaio), Figueroa (chileno) e Oberti (argentino). Motivo de chacota da imprensa do centro, que não manja das nossas raízes platinas.

    Naquele sábado o Beira-Rio recebeu o maior público de sua historia, vaias a seleção brasileira antes e durante o jogo, alguns gaúchos mais exaltados queimaram bandeiras do Brasil. O escrete canarinho estava visivelmente tenso. O placar ficou em 3 x 3 com os gaúchos sempre a frente. Até hoje dizem que o resultado foi ‘’arranjado’’.

    O resultado a longo prazo foi o aumento da pecha de bairristas, truculentos e a continuidade do esquecimento dos jogadores que atuam no estado. Luis Fernando Veríssimo, à época, resumiu bem a situação: Mostramos ao Zagalo que o futebol gaúcho não pode ser desprezado? E eu respondo que não mostramos ao Zagalo nada e que o futebol gaúcho tanto pode que continua desprezado. O mal do protesto passional é que suas razões se extinguem quando termina a paixão. E todas as legítimas perguntas que se poderia fazer sobre os critérios de convocação e as contradições do Zagalo serão, de agora em diante, anticlimáticas. O clímax foi o jogo de sábado.
    curiosidade : além do espírito aguerrido, outra influência uruguaia que poucos conhecem é a presença de negros em times de futebol: já presentes em clubes populares do país vizinho, pela fronteira sulina vieram os primeiros negros a jogar em clubes brasileiros: no primeiro campeonato estadual do país, o Brasil de Pelotas foi campeão gaúcho em 1919 com jogadores negros em sua equipe, bem antes do Vasco da Gama.

    21/09/2010

    Construção - Ou o amor não acontece

    * quem veio baixar Roberto Carlos, vá até o final do post.

    Que me perdoem as comédias românticas e suas heroínas quarentonas, dessas que interpretam jovens distraídas que esbarram na alma gêmea no intervalo entre um cappucino e um cigarro, a verdade está concretada na saída do cinema e é tão gritante que o barulho das pipocas não abafa: O AMOR NÃO ACONTECE. 
    A quem possa duvidar que continue reclamando da falta de sorte, devorando sorvete embaixo das cobertas e preparando jantares caseiros com as amigas e o gay da turma; mas não espere que o princípe se materialize à sua frente enquanto você junta o jornal e suas bugigangas que caíram no meio da calçada em uma manhã de segunda-feira modorrenta pois O AMOR NÃO ACONTECE.
    Quem quiser encontrar o amor, vai ter que sofrer, vai ter que chorar e - mais do que verso de música - se readaptar. As comédias românticas mentem que atrás da cortina de lágrimas que sucede uma decepção há um amor novinho em folha  na próxima esquina, que nem é preciso fazer muito, espere, continue do jeito que você é ele te encontrará.
    Ledo engano. Quem quiser encontrar o amor precisa definir uma estratégia, pavimentar andar por andar um arranha-céu sem querer desafiar a lei da gravidade - como as que esperam um noivado logo após uma mera cantada.
    • Estabeleça um perfil REALISTA que se encaixe nas suas expectativas. Isto é, se você quer uma relação séria pense em características mínimas que um pretendente deve apresentar para conviver harmoniosamente com você. Em bom português, não se envolva com vagabundos, preguiçosos, drogados ou ignorantes. Ok, ok, se você é dessa vibe reverta a ordem;
    • Respeite e curta as fases da relação. Mais importante do que questões mesquinhas como transar ou não no primeiro encontro, é o controle das próprias expectativas - e, consequentemente das cobranças. As relações humanas possuem estágios de intensificação progressiva dos laços afetivos ( isso fica claro quando o efeito do alcool se esvai pela privada e você está sóbrio, nauseante em uma casa estranha) e superar estas fases requer percepção. Não se precipite, se fizê-lo esteja preparado para ouvir um ''não'' e evite escâdalos, choros convulsivos e episódios de auto-piedade.
    • Esteja aberto para transmutar-se. Eu te amo do jeito que você é é lindo na voz do Barry White, todavia você não ouvirá isso ao engatar uma relação - a não ser que você esteja saindo com um crooner. As relações humanas são marcadas  pelo ensino e aprendizado e, ao mesmo tempo,  são campo de batalha pela manutenção da nossa unicidade.  Ficar, namorar, casar, amigar, seja qual for o tipo de relacionamento requer uma disponibilidade de se adaptar e chegar num consenso sobre quais costumes, preferências sexuais, traços da personalidade devem ser expostos, abrandados e aperfeiçoados.
    • Viva o bastante para encontrar a pessoa certa. Viver,  esse verbo difamado por pieguices, redundantes, ainda é a melhor forma para construir uma relacionamento que pode a vir se tornar um amor ou uma dor de cabeça. Por melhor que sejam manuais como este que vos fala, é com  muita experimentação que saberemos quais os cuidados necessários para não quebrarmos a cabeça nas próximas investidas. Dê.
    Ainda sim, se você quiser seguir a cartilha das comédias e ser amada incondicionalmente pelo jeito que você é, pegue seu banquinho e um sintetizador e torne-se uma diva pop-gansgta que pelo menos lhe dará mais dinheiro.
    Só não esqueça: O AMOR NÃO ACONTECE.







    Roberto Carlos - 1971 baixe aqui!!!

    1. Detalhes
    2. Como Dois E Dois
    3. A Namorada
    4. Você Não Sabe O Que Vai Perder
    5. Traumas
    6. Eu Só Tenho Um Caminho
    7. Todos Estão Surdos
    8. Debaixo Dos Caracóis Dos Seus Cabelos
    9. Se Eu Partir
    10. I Love You
    11. De Tanto Amor
    12. Amada, Amante

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