Sullivan e Massadas no idílico mundo das botas brancas

Nesse espetáculo iluminado por sóis de espuma e tinta guache, aprendíamos a suprimir as frustrações repetindo o mantra "sonhar é poder" entoado logo no café da manhã ao mastigarmos o pão velho com manteiga e sem mordomo pra nos servir.

The Runaways: Serotonina inundando os ouvidos.

O debut é uma overdose de serotonina e estrogênio inundando os ouvidos, inflamando os sentidos, deixando os mamilos dormentes e uma vontade doida de trepar.

Do right woman! A frágil irmandade feminina

Enquanto os homens são capazes de machucar o meu corpo, as mulheres têm o poder de destruir minha alma.

Janele Monáe: Andróide do Pop

Janelle Monae lança mão de todos os ingredientes disponíveis para o sucesso de uma diva pop: estilo musical da moda (hip hop), batida e refrões marcantes, duetos, empolgação, romantismo.

Gang 90: O primo pobre da Blitz

Um sonho estranho nas paredes do prédio, prefiro morrer de vodca do que de tédio.

Mostrando postagens com marcador coletâneas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador coletâneas. Mostrar todas as postagens

04/03/2011

Nós, os gaúchos: Os Cascavelettes

Pré-adolescentes com pompons coloridos, crianças com polainas e palhaços com maquiagem derretida tentam acompanhar a performance jaggeriana de Flávio Basso, vocalista d´Os Cascavelettes que entoa: E quando eu volto pra casa/ a minha garota está dormindo/ eu tomo uma latinha de cerveja/ que fome eu estava sentindo/ Aha, eu quis comer você/ Aha, eu quis comer você.

O playback termina, mas o grito de Flávio ainda ecoa pelos cantos do modesto estúdio da TV Manchete Aha, eu quis comer você! enquanto as crianças estão em guerra fria com os (des)animadores de palco na vã esperança de ganhar um brinquedo da Estrela. A apresentadora, com uma saia colegial e uma borboleta enfeitando o microfone dá às boas-vindas a banda:

- São todos do sul, né? São todos gaúchos... e agora com música nova, né?
- É.. Eu quis comer você.... é nome da música.
- Olha só, que barato... vamos ouvir mais um pouquinho de Cascavelettes! Aqui no Clube da Criança!!

E Angélica, a última virgem , canta alegremente o refrão curto, grosso e explícito: Aha, eu quis comer você!! Naquele fim de tarde, Angélica chegou perto da sétima efervescência com o futuro Júpiter Maçã. 



Rock´aula: de quando o melhor também era pra export.

Martha Medeiros, Chimarruts, Sheron Menezes e Ronaldo de Assis. O século XXI não tem sido piedoso com o mainstream gaúcho, expelindo para além do Mampituba figuras pálidas, representantes indignos da cultura local: alguns sem virtude, outros sem criatividade e todos sem personalidade.

Mas nem sempre o melhor ficou aqui. Nos idos dos anos 80 exportamos malemolência e manjação suprema personificada em Renato Portaluppi, a poesia concretista em versos abstratos de Humberto Gessinger, a prosa intimista e reflexiva de Lya Luft e o rock explícito e visceral d´Os Cascavelettes de versos memoráveis: eu quero te estuprar com muito carinho/ te estuprar com muito cuidado/ te estuprar, por causa da dor (Estupro com carinho).

Com Flávio Basso (vocais e contrabaixo), Nei Vansoria (guitarras e vocais), Frank George (teclados e vocais) e Alexandre "Lord" Barea (bateria e vocais) Os Cascavelettes seguiram o papa Nei Lisboa e os companheiros de noitadas no Bar Lola, e atravessaram o Mampituba. Mantendo a integridade artística no seio do mainstrean brasileiro, maior temor das bandas “daqui”, e até  emplacando a canção Nega Bombom na trilha sonora da novela global Top Model (iriam dividir o LP com o mestre Nei Lisboa se este topasse em gravar a malfadada Hey Jude). Os puristas que me perdoem mas poder cantar sem censura e com pose sacana num programa infantil Eu quis comer você é erigir em mármore um monumento a integridade artística. 

Em rocks fulminantes inspirados nas fases viscerais dos Beatles e Rolling Stones, as letras de Flávio Basso e Nei Van Soria pareciam flertar com o machismo, mas a segunda audição logo percebemos que a banda resgata o espírito anárquico, simples e sensual do rock and roll. Evocado nas memoráveis apresentações ao vivo da banda, como observou Marcel Plasse, comentarista da revista Bizz: ..ao vivo são um inferno! Flávio Basso se transforma num clone de garagem turbinado de Mick Jagger, mimetizando o gestual do cantor como se tivesse assistido mil horas de clips e shows em sessão contínua, madrugadas a dentro. Nei Van Sória e Frank Jorge fazem os backings na cadência dos yeah-yeahs dos beatles. E o baterista Alexandre Barea incorpora Keith Moon. As mocinhas gritam e arrancam os cabelos!

Menstruada, o primeiro hit da banda - ela disse hoje não meu tesão/Mas eu disse hoje sim, por que não?/Além disso eu passei toda a tarde/Estudando pro vestibular/E essa noite eu dediquei a te agarrar – era um cartão de visitas do que estava por vir: letras abusadas e diretas, quase pornográficas, sem meias palavras ou sacadas de duplo sentido que viriam a dominar a década de noventa (boquinha da garrafa, dança da cordinha, concurso de camiseta molhada,  sabonetes na banheira).

Em uma discografia irregular Os Cascavelettes cantaram desventuras, angústias romances frustrados e desejos reprimidos dos adolescentes. Afinal, quem não sonhou em ser o rei/rainha da sacanagem e matar alguém de tesão? Ou pediu pra ser estuprada com carinho? Flavio Basso e Nei Van Soria descobriram a fronteira entre o machismo deplorável e o elogio safado: pode chamar de vagabunda, mas admita que gosta. 

  1. Sob um ceu de blues;
  2. Homossexual
  3. Pombo Surfistas
  4. Eu quero estudar
  5. Minissaia sem calcinha
  6. Entra nessa
  7. Barata
  8. Estupro com carinho
  9. Banana Split
  10. A última virgem
  11. Menstruada
  12. O dotadão deve morrer
  13. Ugagogobabago
  14. Morte por tesão
  15. Cavadão
  16. Nega Bombom
  17. Minissaia sem calcinha (ao vivo)
  18. O dotadão deve morrer (ao vivo)
  19. darling
  20. A ultima virgem
  21. Morte por tesão
Ver também:

02/12/2010

Coletânea Dancing Days ou deu pra ti, anos 80!

Coletânea Dancing Days by Tia Véia on Grooveshark

       Calças coloridas, culto a Odete Roitman, aspirantes a Madonna, chicle ploc e Renato Portaluppi. Os anos oitenta parece não ter fim.
          Quando achamos que a cultura pop está avançando rumo a sobriedade agressiva dos noventa ou indo mais fundo em sua viagem no tempo - assumindo de vez os cabelos crespos sob a luz do globo espelhado dos 70 - tome Restart e revival do RPM.
Porque os anos 70 ainda é o ultimo na  fila dos revivais?
A década que começou com a geração bendita pregando liberdade, paz, amor e outras utopias terminou no desbunde da geração perdida, que só desejava dançar, festejar, cheirar, trepar e todos os verbos infinitivos possíveis sem compromisso com os “ismos”, é esquecida pela cultura pop saudosista. Um período frenético (com todos os trocadilhos possíveis com as infames e viciantes As Freneticas) e marcado por desilusões ideológicas e pó, muito pó: Guerra do Vietnã, David Bowie,a renuncia de Nixon, Linda Lovelace, terrorismo de esquerda e direita,  Andy Wahrol, Iggy Pop, crise do petróleo, Pink Floyd, Sex Pistols,  ame-o ou deixe-o, Jackson Five, Nelson Ned no México, John e Yoko expulsos dos EUA, estampas alaranjadas e Barry White...
É também a década da consolidação da música negra cantada por negros (funk, disco, groove) e não somente por intermediários socialmente aceitáveis que lançavam mão da mistura de ritmos negros com elementos de country & western - Elvis Presley, Joe Cocker, Rolling Stones.
Das tantas dissonâncias setentistas a que me embota o espírito hoje é a disco music por isso trouxe essa coletânea da Som Livre que reúne os hits das discotecas  – September, I never can´t say goodbye, Young hearts run free, Disco Inferno - pra colocar a ultima pá de cal nas calças de brim coloridas.










27/07/2010

Canções pra pecar

Mulheres curtem ouvir música pra criar um clima? As vezes. Noutras é melhor ouvir os ruídos da cama batendo na parede, o barulho abafado de corpos suados se tocando, murmúrios, gemidos, a vizinha batendo bife....

Rosas no rosto, Kenny G no toca fitas e incensos aromáticos de fato são afrodisíacos, o problema são mulheres que pensam que só podem gozar assim.
Pra quem gosta de variar ou precisa de trilha sonora pra disfarçar elaborei uma lista mais atualizada e menos clichê. Lista esquizofrenica, com variações rítmicas como um boa transa.

Porque não se estoca oligofrenicamente do início ao fim, e nem se fica de mansinho até os sussuros finais.


Bonus track: Elymar Santos: se o seu parceiro é taxista essa é a canção perfeita. Elymar Santos tem a vocação de fazer vibrar vagarosa e involuntariamente os clitóris alheios, de nos fazer ter movimentos languidos, mas discretos, na rua ou no onibus ao ouvir:
Me ama como eu amo, vem sentar no meu colo
Respiro o teu suspiro, que é o ar que eu mais adoro
Me envolve no teu cio, seu toque é um arrepio
Cavalga doce que eu galopo sem cessar
Depois me beija a boca com a sede dos prazeres
Transpiro o seu veneno, que eu cumpro os meus deveres
Transforma as fantasias nas taras e manias
Que seja eterno enquanto o nosso amor durar


 Não há mulher que não sonhe em acasalar sob a luz vermelha e o boleiro de Elymar.


Baixa pra foder!
01 - Black Crowes - Sometimes Salvation
02 - janis joplin - i need a man to love
03- Dee Joy - Trust me
04 - The Doors - I´m a spy
05 - Ella Fitzgerald - Sunshine of your love
06 - Foo Fighters - Walking After You
07- Detroit Spiners -  It's a shame
08- Portishead - Glory Box
09-Pink Floyd - Wish You Were Here
10 - Simon and Garfunkel - The Sound of Silence
11 - Stereophonics - Nothing Compares 2 U
12 - William Bell - I Forgot To Be Your Lover
13 -Smm - Nobody Does It Better
14 - Corine rae - Breathless
15 - Etta James - Stormy Weather
16 - heatwave - Happiness Togetherness
17 - Janis Joplin - Trust Me
18 - Madona - Take A Bow
19 - Starsailor - Love Is Here

Bônus Sabadão sertanejo
20- Elymar Santos - Amor sem Censura
21 -  Elymar Santos - Escancarando de Vez

26/02/2010

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More