Sullivan e Massadas no idílico mundo das botas brancas

Nesse espetáculo iluminado por sóis de espuma e tinta guache, aprendíamos a suprimir as frustrações repetindo o mantra "sonhar é poder" entoado logo no café da manhã ao mastigarmos o pão velho com manteiga e sem mordomo pra nos servir.

The Runaways: Serotonina inundando os ouvidos.

O debut é uma overdose de serotonina e estrogênio inundando os ouvidos, inflamando os sentidos, deixando os mamilos dormentes e uma vontade doida de trepar.

Do right woman! A frágil irmandade feminina

Enquanto os homens são capazes de machucar o meu corpo, as mulheres têm o poder de destruir minha alma.

Janele Monáe: Andróide do Pop

Janelle Monae lança mão de todos os ingredientes disponíveis para o sucesso de uma diva pop: estilo musical da moda (hip hop), batida e refrões marcantes, duetos, empolgação, romantismo.

Gang 90: O primo pobre da Blitz

Um sonho estranho nas paredes do prédio, prefiro morrer de vodca do que de tédio.

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14/04/2008

(re)União Ibérica - Aterciopelados

O Brasil sempre esteve de costas, ou em guerra, para/com os hermanos latino-americanos. Essa indiferença e ódio mortal criaram abismos culturais entre América lusa e a espanhola. Abismo tão intransponível que o número de músicos que ultrapassaram as Cordilheiras e invadiram as FM´s não preenche o meio de campo do Boca Juniors: Menudos, Shakira, Julio Iglesias (espanhol, que atravessou o Atlântico) e, talvez, Carlos Gardel.

Pelos idos de 1997, querendo promover a (re)União Ibérica nos cantões da América, a MTV, promoveu o festival MTV Tordesilhas, em Porto Alegre: duas noites de apresentações de bandas brasileiras e latinas (Paralamas, Skank, Aterciopelados, Café Tacuba, Los Tres). Conhecidos por meia dúzia de descolados, a receptividade porto-alegrense – que já não é lá essas coisas – foi fria, o Gigantinho estava às moscas.


Aterciopelados - Florecita Rockera 

Aterciopelados foi o melhor show da noite, não por mérito próprio, mas porque os outros foram bem broxantes. Formado por Andrea Echeverri (vocal e guitarra) e Hector Buitrago (arranjos e baixo) em 1990, os Aterciopelados fazem uma fusão de rock, ritmos latino e música eletrônica (eletrônica inteligível, diga-se de passagem, não as do estilo: table, table, table, table em compassos diferentes). 

Vale conferir “Bolero Falaz”, “Baracunatana” e “Juégale Apuéstale” – versão pra “Play the Game” do Queen. Nessas horas que penso: felizes moscas que viram os Aterciopelados.


1. Bolero Falaz
2. Florecita Rockera
3. No Necesito
4. La Estaca
5. Baracunatana
6. La Culpable
7. El Estuche
8. Juegale Apuéstale
9. La Pipa De La Paz
10. Caribe Atomico
11. Maligno
12. El Album
13. Luz Azul
14. Rompecabezas
15. Mi Vida Brilla
16. Tantor Amor
17. Florecita 2003


Aterciopelados - Evolucion by Tia Véia on Grooveshark

11/04/2008

Progesterona na música sertaneja - As Marcianas

 No Brasil, com exceção da MPB – onde os dedos dos pés e das mãos não são suficientes pra enumerar os lançamentos mpbísticos femininos do mês - , há poucas mulheres cantando. E muitas mulheres cantando mulheres.

Na música sertaneja, porém, elas não preenchem os dedos dos pés. Sula Miranda, Roberta Miranda, são as únicas que consigo lembrar que aventuraram suas botinhas brancas na poeira dos rodeios e firmaram-se, em certa medida, ao lado de monstros sagrados e profanos do cancioneiro sertanejo. E entre esse seleto grupo, reencontro As Marcianas.

 Dominique - As Marcianas

Ah....As Marcianas! A melhor dupla sertaneja feminina da América pós-bolivariana.
Perdi a conta das noites em que adormeci embalada pelos falsetes em uníssono de Adriana e Celina: vou te amarrar na minha cama/só vai fazer amor comigo ou Oh! Meu amado/por que brigamos/Não posso mais viver assim/sempre chorando, estremecendo a caixinha de som sintonizada na rádio Caiçara. Longe do mato, do pasto, mas perto de algumas tias vacas, a viola sertaneja me dá saudades de tudo que ainda não vi.

Celina, filha do grande João Mineiro - da dupla João Mineiro e Marciano, daí o nome As Marcianas, saca? - formou dupla com Adriana em 1981 e fizeram relativo sucesso até 1992 quando ganharam o Troféu Imprensa (o estranho Oscar da tv brasileira, que Silvio Santos apresenta e manda, pelos Correios, o troféu aos agraciados) pela lúbrica “Vou te amarrar na minha cama”. Nesse período, ganharam até prêmio Sharp e Canário de Ouro.

Na árdua tarefa de encontrar 20 sucessos de cantores díspares, tanto em gênero como em sucesso, a famigerada série Bis da EMI consagra e desencava cantores como Maria Bethânia, Raul Seixas, Alan & Aladin, Fernando Mendes, e trouxe uma edição histórica da dupla As Marcianas: além das clássicas “Vou te amarrar na minha cama”, “Dominique”, “Por que brigamos” (regravação da cantora Diana, aquela que o Odair José pegou); canções à João Mineiro e Marciano (“Nossa melodia preferida”, a divisão silábica delas é igualzinha a da antiga dupla), guarânias e pérolas como “Paineira do nosso amor”, “Vem cá, caminhoneiro” e “Carreta Feiticeira”.

Convido vocês ao auto-flagelamento sonoro:
Disco 1
01 Chuvas de verao
02 Nossa Melodia Preferida
03 Palavra de mulher
04 Raizes
05 So Deus sabe
06 Paineira do nosso amor
07 Solidao da gente
08 Vem ca caminhoneiro
09 Desamor
10 Xonado de novo
11 Depois de amanha
12 Voce é minha vida
13 Mentiras
14 Morrendo de amor por voce
Aqui



Disco 2
01 Noites mal dormidas
02 Porque brigamos
03 Alguem Que Me Lembre Você
04 Idioma do amor
05 Onde esta voce
06 Seducao
07 Fim de semana
08 Carreta feiticeira
09 Pedaços de amor
10 Amantes
11 Nosso bolero
12 Quando a saudade aperta
13 O mesmo homem
14 Dominique
Aqui

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